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terça-feira, 29 de setembro de 2009

Greenpeace no Ártico

Assista ao video do Greenpeace sobre o derretimento das geleiras no Ártico.
Triste!!!

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

China pode ser maior produtor de energia limpa

A última rodada de discussões em Bonn, na Alemanha, encontro entre representantes de nações para discutir os rumos de um acordo climático global, não foram muito animadoras. O embaixador chinês para o clima, Yu Qingtasi, chegou a declarar que está preocupado com a tendência dos países ricos de jogar as responsabilidades de corte de emissões nos emergentes. Do outro lado, os países desenvolvidos demonstram que realmente querem mais comprometimentos desse grupo.

É verdade que a China tornou-se o maior emissor mundial de gases causadores do efeito estufa. Críticos demonizam o país e condenam a construção de duas novas termelétricas a carvão por semana.

Mas também é verdade que as emissões per capita do país equivalem a apenas um quinto do resultado dos EUA. Se for levada em conta a responsabilidade histórica, essa proporção cai para um décimo. Mesmo assim, é certo que toda aquela fumaça vai parar na atmosfera. Não importaria muito se a Terra fosse habitada apenas por Adão e Eva ou por 10 bilhões de pessoas. Os efeitos climáticos causados pelo acúmulo de CO2 e outros gases de efeito estufa na atmosfera seriam igualmente catastróficos - a única diferença é que, com mais gente, há mais sofrimento.

Mesmo assim chega a ser injusto acusar a China de cruzar os braços diante das mudanças climáticas. Como mostra uma reportagem da Reuters, o país está entre os que têm os melhores planos de cortes de emissões. A ONG WWF também confirma isso e, de acordo com um estudo da organização, a China tem metas ambiciosas para energia renovável e eficiência energética. O próprio governo chinês declarou que incluirá o controle de emissão de gases do efeito estufa no plano de desenvolvimento do país.

Parece que os chineses perceberam que não é uma má legislação climática que pode prejudicar sua economia, mas, sim, não tomar nenhuma atitude diante desse cenário.

Na vice-liderança

Os investimentos em energia limpa comprovam a pró-atividade da China nesse campo. O país está em segundo lugar nesse ranking. Até 2007, gastou 12 bilhões de dólares, ficando atrás somente da Alemanha, que havia investido 14 bilhões até então. Todo esse dinheiro colocou o país entre os líderes mundiais em energia solar, eólica, veículos elétricos, transporte ferroviário e tecnologias de ponta.

Mas os investimentos não param por aí. Cerca de 9% do pacote de estímulo econômico chinês, que soma 586 bilhões de dólares, serão destinados a projetos de desenvolvimento sustentável. Também se espera que o país crie um novo pacote de incentivos, que pode ficar entre 440 bilhões e 660 bilhões de dólares, apenas para o desenvolvimento de novas energias durante a próxima década.

Segundo reportagem da Bloomberg, se isso realmente acontecer, a China será indiscutivelmente o líder mundial em produção de energia limpa.

Enquanto não chega lá, o país prioriza a eficiência energética. Um dos objetivos é reduzir em 20%, em comparação aos níveis de 2005, a quantidade de energia necessária para produzir riqueza. Isso, se alcançado, representará um corte de 1 bilhão de toneladas de CO2 por ano a partir de 2010. Para se ter uma idéia, os cortes de emissão para a União Européia estipulados no Protocolo de Kyoto são de 300 milhões de toneladas anuais até 2012.

Pequenas estações elétricas estão sendo fechadas na medida em que plantas mais eficientes são construídas. A China já fechou cerca de 34GW de potência entre 2006 e 2008 e planeja fechar mais 31GW nos próximos três anos.

Medidas como essa aumentam a eficiência energética do país. Em 2005, para gerar 1 KW de eletricidade era preciso queimar 370 gramas de carvão. Com o fechamento das pequenas termelétricas e a construção de usinas maiores e mais eficientes, passou-se a usar 349 gramas para produzir a mesma quantidade de energia. Usinas ainda mais eficientes vão produzir 1GW com apenas 283 gramas de carvão.

Com relação aos transportes, apesar do crescente mercado automobilístico, a China planeja investir mais de 1 trilhão de dólares na expansão de sua malha ferroviária. Assim, a rede passará dos atuais 70 mil quilômetros para 120 mil quilômetros de extensão em 2020.

Com tudo isso, fica claro que, se a China não está fazendo tudo o que pode para diminuir suas emissões, está, pelo menos, fazendo muito mais do que a maioria dos países desenvolvidos.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Avanços em Bonn, mas não o suficiente

Enquanto o aquecimento global vai literalmente queimando florestas da Europa, como mostra novo estudo do Greenpeace, líderes mundiais tentam estabelecer as bases de um possível acordo climático, a ser assinado em dezembro, em Copenhague. Durante esta semana, houve mais uma rodada de discussões em Bonn, na Alemanha. Foi a terceira do ano, que ainda tem mais duas programadas: entre os dias 28/9 e 9/10, em Bangkok, na Tailândia; e entre 2 e 6/11, em Barcelona, na Espanha.

De acordo com o Earth Negotiations Bulletin, uma publicação independente que divulga informações diárias sobre negociações multilaterais de meio ambiente e desenvolvimento sustentável, a UE (União Européia) disse que as nações desenvolvidas e em desenvolvimento fizeram progresso no que diz respeito à limitação das ameaças do aquecimento global e a uma economia de baixo carbono.

O chefe da Convenção da ONU sobre Mudança Climática, Yvo de Boer, mostrou alguma satisfação e afirmou que há avanços também no que diz respeito ao acesso tecnológico e auxílio financeiro aos países em desenvolvimento. Mas ele espera que as negociações se acelerem. “Se continuarmos nesse ritmo, não vamos conseguir”, alerta ele.

Já China e Índia saíram insatisfeitas de Bonn. O embaixador chinês para o clima, Yu Qingtasi, declarou à agência de notícias Reuters, que existe um sentimento geral de insatisfação quanto aos esforços das nações desenvolvidas. “O mais preocupante é a continuação e, até mesmo, o alinhamento da tendência de tentar jogar as responsabilidades nos países em desenvolvimento”, reclama ele. Qingtasi afirma que a China se esforça para atingir o pico de suas emissões, mas que a prioridade de seu país e lutar contra a pobreza.

Para a Índia, os países ricos estão esperando muito dos pobres e falham em estabelecer maiores cortes de suas próprias emissões. “Existem países em desenvolvimento que, talvez, estejam fazendo mais do que as nações desenvolvidas”, atacou Shyam Saran, enviado especial da Índia para mudança climática. Além disso, ele argumenta que os países em desenvolvimento não podem aceitar um corte de emissões mandatório. Isso, diz o enviado, prejudicaria o desenvolvimento e o crescimento econômico desses países.

As nações em desenvolvimento querem que, até 2020, os países ricos cortem suas emissões de gases de efeito estufa em pelo menos 40% abaixo dos níveis registrados em 1990. Além disso, pedem ajuda tecnológica para ajudar os pobres a controlar suas próprias emissões.

Para pequenas ilhas-estado, os cortes devem ser maiores: de pelo menos 45% para manter o aquecimento global em 1,5°C. “Os cortes prometidos até agora ficam apenas entre 10% e 16% abaixo dos níveis registrados em 1990, o que significa um aumento de 3°C na temperatura do planeta. Esse caminho será catastrófico para todos os países”, afirma Dessima Williams, de Granada, que representa o grupo de ilhas-nações.

A própria UE criticou a média de cortes de emissões oferecidos pelos países desenvolvidos.

Para muitos dos delegados presentes em Bonn, o próximo encontro de líderes, em Nova York, e do G20, em Pittsburgh, ambos em setembro, devem avançar as negociações e ajudar a quebrar os impasses.